Margem do Consignado vai diminuir: Entenda como será a medida

Nova regra reduz gradualmente o limite de comprometimento da renda de aposentados e pensionistas do INSS até chegar a 30% em 2031.

Publicado em 04/05/2026 por Rodrigo Duarte.

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A margem do consignado do INSS vai passar por uma mudança importante nos próximos anos. O Governo Federal anunciou uma redução gradual no percentual da renda que aposentados e pensionistas podem comprometer com operações de crédito consignado, com o objetivo de diminuir o endividamento desse público e reorganizar o funcionamento da modalidade.

Margem do Consignado vai diminuir: Entenda como será a medida
Créditos: Divulgação

Até recentemente, a margem consignável total chegava a 45% do benefício. Esse percentual era dividido entre empréstimo consignado tradicional, cartão de crédito consignado e cartão benefício consignado. Com a nova medida, o limite cai imediatamente para 40% em 2026 e continuará diminuindo até chegar a 30% em 2031. A redução foi apresentada dentro do pacote do Novo Desenrola Brasil e também acompanha outras mudanças, como aumento do prazo de pagamento e ampliação da carência em determinadas operações.

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A mudança não significa que contratos já existentes serão automaticamente cancelados. A medida altera principalmente o espaço disponível para novas contratações e para reorganização futura da margem. Ainda assim, quem já utiliza consignado deve acompanhar sua situação com atenção, porque a redução progressiva pode afetar a possibilidade de contratar novos empréstimos, refinanciar dívidas ou usar produtos vinculados ao benefício nos próximos anos.

Como funciona a margem do consignado?

A margem consignável é o limite máximo da renda que pode ser comprometido com parcelas descontadas diretamente do benefício previdenciário. No caso dos aposentados e pensionistas do INSS, esse mecanismo serve para impedir que todo o valor recebido mensalmente seja tomado por dívidas, preservando uma parte da renda para despesas básicas.

O consignado costuma ter juros menores do que outras modalidades justamente porque o pagamento é descontado de forma automática. Como o banco corre menos risco de inadimplência, consegue oferecer taxas mais baixas do que em linhas como empréstimo pessoal, cheque especial ou cartão de crédito rotativo. Por outro lado, essa mesma facilidade cria um risco importante: o beneficiário pode assumir várias operações e acabar com uma parte muito grande da aposentadoria comprometida por anos.

Antes da nova regra, a margem de 45% era distribuída em três partes: 35% para empréstimo consignado tradicional, 5% para cartão de crédito consignado e 5% para cartão benefício consignado. Com a mudança, o governo elimina a reserva obrigatória para cartões e transforma o limite em uma margem única de 40% para operações consignadas, segundo informações divulgadas pela meutudo com base na medida publicada pelo governo.

Essa alteração tem impacto direto no uso dos cartões consignados, que costumam ter custo maior e foram alvo de questionamentos nos últimos anos. A nova estrutura busca direcionar o uso da margem para modalidades com juros menores, reduzindo o espaço dos produtos considerados mais caros.

Como será a redução até 2031?

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A redução será feita de forma gradual para evitar uma queda brusca no acesso ao crédito. Em 2026, a margem cai de 45% para 40%. Depois disso, a previsão é de redução de 2 pontos percentuais por ano até alcançar 30% em 2031. O Poder360 também informou que a medida vale para aposentados, pensionistas do INSS e funcionários públicos, com queda progressiva do limite de comprometimento da renda.

Ano

Margem consignável prevista

2026

40%

2027

38%

2028

36%

2029

34%

2030

32%

2031

30%

Na prática, isso significa que um aposentado que recebe R$ 2.000, por exemplo, poderia comprometer até R$ 800 em parcelas consignadas considerando a margem de 40%. Quando o limite chegar a 30%, esse teto cairá para R$ 600. A diferença pode parecer pequena em um primeiro momento, mas tem impacto relevante para quem depende do consignado para reorganizar dívidas, contratar crédito emergencial ou refinanciar contratos antigos.

O governo também ampliou o prazo máximo das operações. Para aposentados e pensionistas, o prazo passa de 96 para 108 meses, enquanto servidores públicos podem ter prazo de até 120 meses. Além disso, foi autorizada carência de até 90 dias para aposentados antes do pagamento da primeira parcela, conforme informações divulgadas sobre o pacote de mudanças.

Por que o governo decidiu reduzir a margem?

A justificativa central é a preocupação com o endividamento de aposentados e pensionistas. Como o consignado é fácil de contratar e tem desconto automático, muitos beneficiários acabam acumulando contratos ao longo do tempo. O problema é que, mesmo com juros menores, o comprometimento elevado da renda pode deixar pouco dinheiro disponível para alimentação, medicamentos, contas da casa e outras despesas essenciais.

O governo também identificou distorções no uso dos cartões consignados. Segundo declaração do ministro da Fazenda, Dario Durigan, havia uma espécie de reserva de 10% para cartão consignado e cartão benefício, mas essas modalidades apresentavam juros mais altos do que o empréstimo consignado tradicional. A nova regra busca reduzir esse espaço e permitir que a margem seja usada em operações mais baratas.

Outra razão está ligada à reorganização do mercado de crédito. O consignado é considerado uma modalidade importante porque costuma ter taxas menores, mas o limite de 45% passou a ser visto pelo governo como alto demais. A ministra-chefe da Casa Civil afirmou que a redução progressiva foi escolhida para evitar um corte muito forte de uma só vez, enquanto o patamar de 30% foi apresentado como um nível mais adequado de comprometimento da renda.

O que muda para aposentados e pensionistas?

Para quem ainda tem margem disponível, a principal mudança será a redução gradual do espaço para contratar novos empréstimos. Isso não impede completamente o acesso ao consignado, mas exige mais planejamento. Com menos margem, o beneficiário poderá ter limite menor para novas parcelas e talvez precise escolher com mais cuidado entre contratar crédito novo, refinanciar uma dívida existente ou esperar liberar margem com o fim de contratos antigos.

A medida também pode mudar o comportamento dos bancos. Como haverá menos margem disponível ao longo dos anos, as instituições podem ser mais seletivas na oferta de crédito. Ao mesmo tempo, o prazo maior pode reduzir o valor mensal das parcelas, ajudando a encaixar operações dentro do novo limite. O cuidado é que prazos mais longos normalmente aumentam o custo total da dívida, mesmo quando a parcela fica menor.

Para quem já está endividado, a redução da margem reforça a necessidade de organizar os contratos atuais. Antes de contratar outro empréstimo, é importante conferir no Meu INSS quais descontos já estão ativos, comparar o Custo Efetivo Total das ofertas e evitar usar consignado para despesas recorrentes sem resolver a causa do desequilíbrio financeiro.

A mudança pode até reduzir o acesso imediato a crédito, mas também cria uma trava contra o excesso de comprometimento da aposentadoria. Para o beneficiário, o melhor caminho é tratar a nova margem como um limite de proteção, não como um valor que precisa ser usado por completo. Quanto menor for a parcela descontada todos os meses, maior será a liberdade para lidar com gastos essenciais e imprevistos sem depender de novas dívidas.

ESCRITO POR: Rodrigo Duarte - Jornalista formado pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), com especialização em Marketing Digital.